abril 02, 2006

Fazes-me falta...

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Penso em ti

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setembro 06, 2005

melancolia


Judy Theo

Entrou Setembro e, com ele, uma certa melancolia.
É mais um final de Verão que deixa saudade. Regressar às coisas sérias e aguardar pelo próximo ano e os próximos dias de calor.

É colocar de lado as músicas de rabear e os vestidinhos floridos de alças. Esperar de novo pelo tempo dos damascos e das cerejas. Saborear os últimos gelados. Arrumar no armário a roupa fresca e leve. Comprar alguma roupa nova, umas camisolas bem macias.

Preparar o corpo e a alma para os dias curtos, com pouca luz. Brincar com as formas das nuvens que passam velozes no céu. Deixar entrar de novo a humidade e o frio nas casas. Aproveitar para passear no parque e apreciar a quentura dos tons outonais nas folhas caídas. Sentir o perfume das castanhas assadas nas ruas do Porto. Fazer compota de abóbora com amêndoa. Voltar aos chás de menta e às fatias quentinhas, acabadinhas de sair do forno, do bolo do amor. Voltar a ouvir Rodrigo Leão, Michael Nyman e Gabriel Yared.

Comprazer-me nesta doce melancolia. Ficar a ver o pôr-do-sol todos os finais de tarde, da janela do meu quarto. Fecha depois os olhos e aquecer a alma com os meus próprios sonhos, todos eles ligados à quentura dos afectos...

Publicado por jacky às 02:41 PM | Comentários (8) | TrackBack

agosto 19, 2005

aparências


Bill Stephens


Não sou o que pareço.
Não te deixes enganar pela aparente fragilidade, pelo meu ar perdido na neve, pela cinzento da minha pele. Posso ser apenas um coelho, mas sou mais resistente do que pareço e por baixo deste meu casaco, arde a paixão que me permite viver cada dia que passa, sem pensar no dia de amanhã e se continuarás a julgar-me pelas aparências...

E a ti, o que te sugere esta imagem?

Publicado por jacky às 01:03 PM | Comentários (11) | TrackBack

julho 26, 2005

esferas

Onde vai dar o caminho das esferas?

Publicado por jacky às 03:50 PM

junho 02, 2005

Fazes-me falta

Sinto na alma e sinto na pele a falta que me fazes.
Na alma, há como uma incompletude que persiste, uma compreensão das coisas através do teu olhar invisível por agora. Na alma, há um vazio que vai crescendo sempre que não posso partilhar contigo um sorriso, uma lágrima, um beijo.
Na pele, há como uma agrura que vai aumentando sem a macieza das tuas mãos, um dessensibilizar sem o contacto com a tua pele. Na pele, há uma saudade de um entrelaçar, de um enroscar, de um abraçar, só possível contigo.
E assim vou vivendo os dias, vazia de ti, ansiando pela tua vinda e, ao mesmo tempo, receando que chegues para apenas voltar a partir...

Publicado por jacky às 02:14 PM

maio 15, 2005

amorizade


Heather Perry

Sou semente de amorizade
Nasço na tua terra
Desabrocho na tua atmosfera

Sou rebento de amorizade
Viro-me para o teu sol
Sacio-me com a tua chuva

Sou flor de amorizade
Danço ao teu vento
Adormeço em tua lua

Sou árvore de amorizade
Cresço com o teu afecto
Fortaleço com o teu amor

Publicado por jacky às 01:10 AM

maio 13, 2005

cama de rede

Vem ter comigo,
meu querido,
pendurei uma cama de rede
entre a árvore da amenidade
e a árvore da quietude.

Vem deitar-te,
meu querido,
mistura teu sabor salgado
ao meu gosto silvestre.

Vem e fecha os olhos,
meu querido,
quero beijar tua tristeza e
florir teu pensar ferido.

Vem amar-me,
meu querido,
embalar-te na minha doçura,
adormecer sereno finalmente...

Publicado por jacky às 03:25 PM

maio 12, 2005

Regressos...

Regressar ao Outono:

Sorver tons quentes com o olhar.
Estalar folhas já secas.
Trincar castanhas assadas na brasa.
Ouvir salpicos de chuva lá fora.
Adormecer, enroscada a ti...

Regressar ao Inverno:

Desligar o aquecimento.
Enfiar-me na cama.
Sentir a doçura da flanela.
Encostar-me a ti.
Despertar o Verão de nós...

Regressar à Primavera:

Tirar camisolas e meias.
Passear na rua.
Rodopiar a saia nas pernas
Colher um malmequer.
Desfolhar-me para ti...

Regressar ao Verão:

Fechar os olhos.
Sentir o sol no rosto.
Humedecer os lábios.
Desnudar a tua pele.
Incendiar-me em ti...

Publicado por jacky às 06:37 PM

maio 11, 2005

quadra fernandina

(tentativa de análise, depois dum comentário neste post)

Quando me mostras o trema
enfraqueces-me o ditongo,
mas aumentas-me o fonema
e dou-te um vocábulo longo.

Nesta quadra fernandina, o sujeito da enunciação - o eu da 1ª pessoa do singular - dirige-se a um tu com uma certa intimidade fonética por causa da 2ª pessoa do singular. Estabelece-se uma relação de força entre um tu, que retira força a uma vogal ou semivogal, pois deixa de ser assinalada, devido à anulação do trema, que agora só se usa no português variante Brasil.
O eu poético não se pode defender pois fica com o ditongo enfraquecido, passando a ser uma sequência ininterrupta de dois fonemas vogal ou semivogal.
Em consequência, o sujeito poético enfatiza o fonema, já que passa a ser diferenciador da própria palavra e o vocábulo, representação formal e sonora, alonga. À falta de trema, aglutinam-se as vogais...

Agora a sério!
Esta quadra revela uma enorme fixação por mamas tremelicantes recheada de ansiedade (a fixação, não as mamas) e o que se pretende é passar à acção com gemidos e outras coisas anatomicamente longas. Na verdade, só pensas é nisso, Fernando! ;D

Publicado por jacky às 11:16 PM

maio 06, 2005

Era uma vez, um poema

Era uma vez,
um poema
feito de palavras
ardentes e idealizadas,
que queria ser gente,
um poema
feito de caminhos
a percorrer.
O poema corporizou-se
em realidades diversas:
pele,
cheiros,
murmúrios
e sensações.
Era uma vez,
um poema
feito de palavras
ardentes e idealizadas
que se fez gente,
um poema que ficou
perdido no caminho,
um poema que não sabe
se voltará a ser gente...

Publicado por jacky às 11:39 PM

maio 03, 2005

as cores do (des)amor

O amor é da cor
da transparência
das asas da libélula
que sobrevoa o lago.
O desamor é
cinzento como o balde
de água fria do lago
que afogou a libélula...

O amor é da cor
da luminosidade solar
sobre a minha pele.
O desamor é da cor
do nevoeiro
que encobre esse sol.

O amor é da cor
da chuva
fertilizando a terra.
O desamor é da cor
da secura
que a desertifica.

O amor é da cor
da pulsação
do inebriamento.
O desamor é da cor
do sangue
que deixou de correr.

Publicado por jacky às 09:40 PM

margens...


Foto de Luís Duarte

Às vezes, são precisas pontes para que, entre sonho e realidade, se possa alcançar a outra margem...

Publicado por jacky às 05:34 PM

abril 30, 2005

mapeamento de ti II

Retroceder.
Duvidar de mim.
Disparatar intensamente.
Acelerar o tempo.
Complicar tudo.
Pensar demasiado.
Deixar de ver.
Perder-me na negritude do medo.
Deixar-me envolver pela ansiedade.
Corporizar a nossa música na solidão.
Sentir a perda de ti.
Afagar caracóis virtuais.
Aninhar-me nos lençóis de flanela.
Absorver a quentura da cama.
Embriagar-me com a memória da tua voz grave.
Ter sede de ti ainda.
Ceder à tentação do holograma da tua nudez.
Despir-me lentamente.
Vestir-me de ti.
Imaginar o mapeamento de ti.
Submeter-me ao prazer.
Tactear.
Percorrer as pernas.
Deslizar os dedos.
Roçar-me.
Incendiar-me.
Sentir o enlevo.
Acelerar pulsações.
Demarcar sensações.
Embriagar-me de ti.
Libertar ondas solitárias.
Abarcar o sonho de ti.
Apaziguar.
Traçar na minha mente contornos esbatidos.
Memorizar a fantasia de ti.
Parar o tempo.
Libertar o medo e a ansiedade.

Acordar dum sonho de ti, irreal ou talvez não.
Esperar pacientemente...

Publicado por jacky às 03:20 PM

perdidos

Algures, a caminho de Espanha, pensamentos perdidos...

Publicado por jacky às 12:58 AM

abril 29, 2005

Faz(es)-me falta

fazesmefalta.jpg

Faz-me falta
a quentura da tua voz
que aquecia as noites brancas.

Faz-me falta
a força do teu desejo
tuas pernas nas minhas ancas.

Faz-me falta
o cheiro da tua pele
que acordava minha paixão.

Faz-me falta
a visão da tua nudez
que acelerava meu coração.

Fazes-me falta,
muita falta...

Publicado por jacky às 09:03 PM

escrever com outro sexo

O Nikonman desafia-nos a escrevermos um texto erótico mas trocando de sexo, depois de ter lido este poema do meu passarinho preferido.
Vou tentar mas não prometo que vá sair alguma coisa de jeito! Quem mais se atreve e colocar-se numa perspectiva diferente da sua?

Actualização:
Ler textos da Pandora, do Clark59, do PmA, da Mad, do Fernando, do Luis Ene, da Maria! E finalmente o meu... Quem mais se atreve?

Publicado por jacky às 03:06 PM

abril 28, 2005

amizade I


Claudia, foto do Nikonman, tirada durante o jantar da Pandora.

Quase já nem me lembro do tempo em que não éramos amigas. Já somos amigas há 20 anos. Digamos que somos mais irmãs que amigas. Há famílias que não aguentam as agruras da vida como nós já aguentamos.
A nossa amizade tem resistido a tudo: aos outros, aos amores que chegaram e já se apagaram, às discussões, às lágrimas, às compras, aos amuos e até ao próprio tempo.
Conhecemo-nos em 1984, na Escola Secundária Carolina Michaelis, quando ficámos ambas no 10º ano área D. Ela ficava sempre absorta na primeira fila encostada à janela. Tinha longos cabelos como qualquer menina bem comportada e era-o de facto.
É como um pilar forte e resistente que sustenta toda uma estrutura. Está sempre presente, é confiável e responsável. É organizada, perfeccionista e faz sempre tudo direito, segundo planos que elabora previamente, i.e., quando eu deixo... :D
Somos realmente muito diferentes as duas e por isso nos damos tão bem. Acho que nos completamos perfeitamente. Entre as duas há um equilíbrio quase perfeito. Ela obriga-me a ter o IRS direitinho e a fazer bem as coisas e eu obrigo-a a embarcar em 1001 aventuras, cada qual a mais louca.
Já discutimos inúmeras vezes e às vezes ficamos dias e dias sem nos falarmos. Quando me salta a tampa, fico insuportável e ela sabe-o bem. Quando fica ela absorta nos seus pensamentos negros, tiro-a de casa nem que seja em pijama e quando dá por si, só lhe falta mesmo andar com vestidos às florzinhas :)
É a minha carregadora oficial de sacos quando nos damos ao luxo de estarmos uma tarde toda no entra e sai das lojas. Já tivemos ataques de riso com as figurinhas tristes que fizemos com certos modelitos nos vestuários das lojas.
Há anos que falámos quase todos os dias e mesmo assim há sempre assunto para mais umas horas.
É a única que tem paciência para ir comigo ao cinema, porque como é sabido, fico tão envolvida nos filmes que, nas cenas de suspense, apanho grandes sustos e salto para cima de quem estiver ao meu lado. Ninguém também está para aturar as minhas gargalhadas nas comédias ou quando adivinho o fim dos filmes ao fim de 10 minutos!
Ela é a minha memória. É capaz de se recordar de coisas que fizemos há milhões de dias com pormenores e eu nem sei o que comemos ontem. É uma excelente pre-leitora dos meus livros e um bom garfo dos meus pratos caseiros. Mesmo que fique uma porcaria, diz sempre que está óptimo!
Também é uma óptima guarda-costas porque se souber que alguém me faz mal, mostra logo as garras. Acima de tudo, foi aquela que nunca me abandonou no período mais negro da minha vida, que esteve ao meu lado quando tive de engolir sapos, que nunca virou as costas ao meu mau feitio e que sei que será minha amiga leal para sempre, aconteça o que acontecer.
Às vezes, como tenho sempre muitas pessoas à minha volta, ela pensa que me posso esquecer dela. É um autêntico disparate. Ela é um dos pilares da minha vida e não consigo concebê-la sem ela. A Claudia é a irmã que sempre sonhei ter, muito mais que uma simples amiga! Obrigada por estares sempre aí e desculpa-me todas as más palavras, mesmo aqueles de que nunca pedi desculpa por orgulho. Perdoa-me os silêncios e as explosões. Obrigada por tudo, amiga!

Publicado por jacky às 07:05 PM

abril 26, 2005

confidência

Nem tudo o que se escreve tem origens em experiências próprias, pode apenas existir numa zona sombria da imaginação...

Publicado por jacky às 09:13 AM

abril 25, 2005

1 pequena história

do Luis Ene, escrita para mim:

Ela queria-o a ele (ou não),
umas vezes sentia calor e outras frio,
mas sempre, sempre um arrepio.

É um bom mote de continuação à minha história de desejo, mas agora escrito no feminino :)

Publicado por jacky às 05:04 PM

abril 23, 2005

invólucro...

I
Corpo tão pequeno
para conter
minha imensidão...

II
Coração tão ténue
para albergar
tanta inflamação...

III
Ninguém tão gigante
para abarcar
tanta paixão...

Porque, muitas vezes, não consigo caber dentro do meu próprio corpo

Prometes que se me acontecer alguma coisa, contas histórias de mim ao filhote?

Publicado por jacky às 05:35 PM

abril 19, 2005

mapeamento de ti

Arriscar.
Aceitar-te em mim.
Dedicar-me a ti um fim de semana.
Parar o tempo.
Abstrair-me de tudo.
Parar de pensar.
Olhar-te e reter a tua imagem.
Perder-me no castanho do teu olhar.
Deixar-me envolver no teu abraço.
Corporizar a nossa música numa dança.
Sentir o que foi ouvido indefinidamente.
Afagar teus caracóis rebeldes.
Aninhar-me no teu pescoço.
Absorver a quentura da tua pele.
Embriagar-me com os murmúrios da tua voz grave.
Ter sede da tua boca.
Ceder à tentação e beber-te.
Deixar-me despir lentamente.
Tirar-te a roupa.
Fazer o mapeamento de ti.
Submeter-me à exploração da tua boca.
Tactear-te o peito.
Percorrer as tuas pernas.
Deslizar os dedos pela tua cicatriz.
Roçar-me em ti.
Incendiar-me com a carícia das tuas mãos experientes.
Sentir a dureza doce do teu enlevo.
Combinar pulsações.
Demarcar o teu desejo que se sobrepõe ao meu.
Embriagar-te de prazer.
Libertar ondas de arrebatamento.
Abarcar todo o teu ser.
Apaziguar.
Traçar na minha mente a inefabilidade dos teus contornos.
Memorizar o mapeamento de ti.
Libertar o tempo.
Libertar-te.

Acordar dum sonho, imaginado ou talvez não.
Esperar...

Publicado por jacky às 05:00 PM

abril 18, 2005

regresso...

Não tentes agarrar-me,
prender o meu carinho...
O pássaro livre regressa
sempre para o ninho.


Jacky


Emma Butler

Publicado por jacky às 09:46 PM

Fósforo

Que se há-de fazer
a um fósforo molhado?

Publicado por jacky às 12:39 AM

Entre água e fogo...


Fire over water, Paul Evans

Entre água e fogo,
há uma eterna luta,
uma espécie de disputa...
Quem será o mais forte?
A lava que tudo destrói
que o oceano pode esfriar?
O mar que tudo inunda
que o sol a deserto faz voltar?
Quando é que
esta contenda vai acabar?

Publicado por jacky às 12:28 AM

abril 14, 2005

cor do (des)amor

O amor é da cor
da transparência
das asas da libélula
que sobrevoa o lago.
O desamor é
cinzento como o balde
de água fria do lago
que afogou a libélula...

Publicado por jacky às 10:35 PM

Quebra-pausa III

Muito obrigada ao meu querido amigo Ognid da Catedral, porque assim O Teu Olhar ficou bem mais belo!

O teu olhar
fala-me de viagens
e lugares distantes.
O teu olhar
fala-me de solidão
em certos instantes.
O teu olhar
fala-me de saudade
e de doçura.
O teu olhar
fala-me de desejo
e de quentura.
O teu olhar,
caminhante em mim...

Publicado por jacky às 12:47 AM

Quebra-pausa I

O teu amor
É a cama de rede
Onde a minha alma
Quer ser embalada.

O teu amor
É o alegre carrilhão
Onde o meu silêncio
Quer ser cantado.

O teu amor
É a lençol de flanela
Onde o meu desejo
Quer ser consumado.

O teu amor
É o baloiço
da minha infância
onde me entrego extasiada.

Publicado por jacky às 12:10 AM

abril 12, 2005

Poderia...

Poderia falar-te
dos longos dias de silêncio
para onde me atiraste,
para a ausência de tudo,
para as palavras
que se encheram de vazio.
Poderia falar-te
do que não foi dito,
mas do que foi lido
nas entrelinhas,
talvez nunca
palavras minhas.
Poderia falar-te
de todo o tempo
que foi espaço
de afectos silenciados,
de desejos calados
e reprimidos.
Poderia falar-te
de dias sonhados,
nunca vividos,
sempre imaginados
e agora nem prometidos.
Poderia falar de dias
e de noites de espera,
do quanto resisti
a tudo
pelo ideal de ti...
Poderia
se houvesse pelo menos
uma amizade a guardar
na memória,
mas não vale a pena,
palavras levam-nas os ventos
Nótus e Bóreas
de costas viradas,
porque mesmo numa amizade
1 + 0 nunca resulta em 2...

Publicado por jacky às 02:19 AM

dispersos...

lua...
voz...
gasolina...
tanques...
mensagem...
calor...
pele...
dormir...
falar...
lutar...
esquecer...

Publicado por jacky às 01:08 AM

abril 11, 2005

hoje

Hoje,
queria queimar
os dias passados
e o futuro renovar.

Hoje,
queria tocar
o teu pescoço
com o olhar...

Hoje,
queria encostar
minha alma
ao teu pulsar...

Hoje,
queria estar
no teu silêncio
e escutar...

Hoje,
queria acordar
junto a ti
e ficar...

Por isso,
esta noite,
quero sonhar
que esse hoje
há-de chegar...

Publicado por jacky às 11:24 PM

abril 10, 2005

Faz-me tua...

- Queres ser minha?
Se aceitares,
farei de ti rainha...

- Faz-me tua,
de mãos dadas,
enlaçados na rua...

Faz-me tua,
quero ser tua água,
teu sol e tua lua...

Faz-me tua,
quero sentir tuas mãos
sobre minha pele nua...

Faz-me tua,
quero ser mar
onde teu desejo desagua...

Jacky

faz-me tua
quero ser noite
pra seres a minha lua

faz-me tua
quero ser terra
que lavras com a charrua

faz-me tua
quero ser pardal
tu és uma catatua

faz-me tua
quero ser praça
adjacente à tua rua
faz-me tua
quero ser rio
onde vogas de falua

faz-me tua
quero ser número
porque tu és capicua

faz-me tua
quero ser a agulha
que a tua pele tatua

completou o Fernando Cidadão

Publicado por jacky às 01:40 AM

abril 08, 2005

Sem ti...

Sem ti,
Acordar é doloroso.
Adormecer é penoso.

Sem ti,
Chegar é tristeza.
Partir é certeza.

Sem ti,
Olhar é não ver.
Tocar esquecer.

Sem ti,
Viver é lassidão.
Morrer libertação.

Jacky

Publicado por jacky às 08:54 PM

abril 06, 2005

Poesia

Sentada à beira-mar,
ser embalada
por ondas de maresia
é criar da natureza
páginas de poesia...

Jacky

Publicado por jacky às 12:02 AM

abril 05, 2005

Ausente

Mesmo ausente,
sinto a tua presença
presa aos meus pensamentos.
De site em blogue,
de texto em imagem,
segues os meus movimentos.

Desenhas o meu retrato.
Escolhes palavras
para o meu prazer.
Reinventas a Poesia.
Recrias o Amor
para me poder prender.

Mas tudo é fantasia,
atracção e dor,
ligados ao virtual.
Mesmo ausente,
sinto uma lágrima
com sabor irreal...

Publicado por jacky às 12:45 AM

abril 04, 2005

A tua voz

A tua voz
tem cor de salmão
trepando cascatas
em contra-mão.


A tua voz
faz-me viajar
por lugares distantes
onde quero escutar
teus gemidos vibrantes.

A tua voz
recorda-me
a alma gémea perdida
que quero amar
sem medida.

A tua voz
murmurante de ternura
apazigua minh'alma
com quentura.

A tua voz
de tonalidade quente
desperta em mim
um desejo ardente.

A tua voz
leva-me a certos lugares
onde só tu
me podes encontrares.

A tua voz
vibrante em mim...

Hoje estou debilóide e deu isto... Se alguém quiser aperfeiçoar ou continuar, aceito sugestões :)

A tua voz
não sei se te diga
é mesmo atroz
em qualquer medida

Foi o melhor que consegui
não me leves a mal
não é o que penso de ti
sou um animal

Sugestão do Luís :)

A tua voz
tem ressonância de retrete
todos fogem
ninguém se mete.

A tua voz
jacky debilóide
é tal e qual
a de um andróide.

A tua voz
tem sabor de sandoca
sandoca de queijo
é isso que veijo*.

A tua voz
é do carago*
foi o que disse
o grande Saramago.

Quadras gentilmente cedidas por um amigo anónimo! :D

* É impressão minha ou alguém se referiu ao meu sotaque? Ó_ó

A tua voz
É na noite que se acoita
E cá para nós
Com tal voz ninguém se afoita

A tua voz
É o espelho do que és
Mas toma tento
Não metas as mãos pelos pés

A tua voz
É leve qual passarinho
Mas não impede
Algum murro no focinho

A tua voz
Ninguém tem igual à tua
Ouço-a daqui
Até ao final da rua

A tua voz
É mais bela do que o Sol
Se eu não soubesse
Julgava-te um rouxinol...

Com a colaboração do OrCa , que muito me honra :)

A tua voz
fala, berra, geme, grita.
Cá entre nós...
Deves estar mesmo aflita.

A tua voz
é mesmo muinta, muinta fixe.
Trinquei a noz,
parti um dente. Que se lixe.

Quadras do Fernando :)

Publicado por jacky às 06:19 PM

abril 01, 2005

amar o amor

Mais do que amar alguém real,
Apaixonei-me pelo amor...
Gosto de criar um ideal
Como o poeta finge dor...

Publicado por jacky às 12:00 AM

março 31, 2005

-ismo...

Desejar
quem muito
me despreza
é masoquismo.
Querer
quem por mim
não reza
é fanatismo.
Amar
o próximo
que agoniza
é altruismo.
Esquecer
quem se
desmaterializa
é ...

Publicado por jacky às 06:43 PM

março 28, 2005

o banho (continuação)

Este texto é a continuação deste post, do qual só publico aqui a última frase. É favor irem ler o texto todo clicando sobre o link:

Então, abriu a porta, o robe ligeiramente descaído, e deixou que ele inventasse o que dizer...

(...)

- Ias tomar o teu banho pele de seda? perguntou ele.
- Já sabes que sim, já me conheces o suficiente para saber os meus hábitos - respondeu ela, simplesmente.
- Posso entrar e ficar à espera que tomes o teu banho?

Ela hesitou. Sabia que se o deixasse entrar, seria muito difícil resistir-lhe e também sabia que voltar a envolver-se estaria a preparar lenha para se queimar. Ele também sabia disso, mas há alturas em que o coração prevalece à razão e entrou sem grande reistência por parte dela.
Já na entrada, deu-lhe o ramo de flores que trazia escondido atrás das costas: tulipas vermelhas que simbolizavam uma declaração de amor com rosas amarelas que pediam desculpa. Ele sabia dizer com flores o que, às vezes, as palavras não eram capazes.
Ela aceitou o pedido de desculpa. Entraram na sala. Ligou a aparelhagem e colocou no leitor de cds a Diana Krall. Ela foi tomar o seu banho, ritual inviolável, e ele esperou pacientemente o seu regresso...

Publicado por jacky às 07:09 PM

março 27, 2005

As palavras são como água

As palavras são como água.
Começam tímidas na nascente e vão crescendo no leito do rio. Por vezes, estão recatadas em lagos de calmaria. Outras vezes, inudam os locais mais recônditos.
As palavras vão e vêm como vagas e não são de ninguém. Ou então estão presas, engarrafadas.
Há palavras secretas escondidas em fossas abissais e outras transparentes e brincalhonas em cascatas.
Certas palavras são duras e caem como saraiva* e outras enternecem como degelo. Algumas são avarentas caindo gota a gota; outras, abundantes, fertilizam como chuva.
Há palavras secas à procura de uedes** no deserto ou desejosos de oásis; outras são frescas como orvalho matinal.
Quando as palavras se revoltam, tornam-se tempestade marítima, senão acalmam-se em escuma.
Certas palavras são tão frágeis que se evaporam, logo que são proferidas. Outras são tão fortes que permanecem como icebergues na memória.
Há palavras violentas, maremotos destruidores e há outras que de tão pacíficas são água benta.
Quando as palavras são encarceradas formam pântanos incompreensíveis; quando são finalmente libertadas, abatem-se em avalanche descontralada.
Palavras apaixonadas tanto são suor como lágrimas. Palavras poéticas são água de colónia ou essência perfumada. Há palavras-beijo que viajam de saliva em saliva e outras em lençol subterrâneo.
As palavras inseguras escondem-se nas nuvens e as extrovertidas juntam-se na foz entre rio e mar.
Há palavras escorregadias como geada e outras dançantes como floco de neve.

As palavras são como água. Há que deixá-las fluir, deixá-las seguir o seu curso.

Jacky

* granizo (para a gente do Sul).
** rios temporários no deserto do Sara.

Publicado por jacky às 05:38 PM | Comentários (9)

falta

Sinto a tua falta
como a gaivota do mar,
o deserto da fonte,
o caminhante da viagem.

Sinto a tua falta,
homem de passagem...

Sinto a tua falta
como a terra do orvalho,
a insónia do sonho,
os olhos da imagem.

Sinto a tua falta
homem miragem...

Jacky

Publicado por jacky às 11:44 AM

março 24, 2005

Dá-me

Dá-me o teu olhar
Para fundirmos pensamentos.

Dá-me o teu nariz
Para unirmos perfumes.

Dá-me a tua boca
Para misturarmos sabores.

Dá-me a tua pele
Para enlearmos anseios.

Dá-me as tuas mãos
Para trançarmos os dedos.

Dá-me as tuas pernas
Para entrelaçarmos desejos.

Dá-me a tua alma
Para realizarmos amor.

Jacky

Publicado por jacky às 06:37 PM

(Não) conheço

Não conheço o teu cheiro
Na noite amena e quente.

Não conheço o teu sabor
Beijo-te apenas inconsciente.

Não conheço a tua pele
Não cheguei perto o suficiente.

Mas
Sonho com o teu olhar
Que transmite confiança.

Sonho com a tua presença
E sentir-me em segurança.

Preciso do sonho de ti
Para me devolver a esperança...

Jacky

Publicado por jacky às 04:11 PM

março 22, 2005

Penso em ti

Penso em ti,
Ao acordar,
Com o vazio do teu corpo ausente.

Penso em ti,
Ao deitar
Quando o desejo se torna urgente.

Penso em ti,
Junto ao mar,
Vagas corporais em ondulação.

Penso em ti,
Ao luar,
Empolgada por esta doce emoção.

Penso em ti,
Sem parar,
Como quer a paixão... por ti...

Jacky

Publicado por jacky às 09:43 PM

Havia na minha rua, Saul Dias [versão tecnológica]

[versão tecnológica de Jacky]
Havia
no meu messenger
um desconhecido fiel

Calou-o o meu 'ausente'

Ficou online,
dias e dias,
sempre persistente
(E assim provei o seu mel)


Alan Davey

[versão original de Saul Dias]
Havia
na minha rua
uma árvore triste

Quebrou-a o vento

Ficou tombada,
dias e dias,
sem um lamento
(Assim fiquei quando partiste)

Publicado por jacky às 10:48 AM

março 19, 2005

Quero-te timidamente

Quero-te
timidamente
como quer
um amor
nascente.

Quero
ser embalada
pela tua voz
ouvir contar
uma história
de nós.

Quero
ver-me
nos teus olhos
reflectida
ser
tua imagem
preferida.

Quero
gravar
o teu perfume
na memória
e esquecer
o ciúme.

Quero
provar
o teu sabor
fundir-me
no teu amor.

Quero
sentir
de novo
a plenitude
do amor
em quietude.

Quero
ser tua.
E tu,
Queres
ser meu?

Jacky

Publicado por jacky às 07:17 PM

março 18, 2005

o teu olhar

O teu olhar
fala-me de viagens
e lugares distantes.
O teu olhar
fala-me de solidão
em certos instantes.
O teu olhar
fala-me de saudade
e de doçura.
O teu olhar
fala-me de desejo
e de quentura.
O teu olhar,
caminhante em mim...

Jacky

Publicado por jacky às 01:29 PM

março 17, 2005

beijo virtual

Em resposta a mais um desafio da Hipatia! :)

Numa noite de Verão do novo milénio, ele e ela, duas solidões encontraram-se numa sala do Mirc e fizeram-se companhia. Durante umas horas, partilharam pensamentos e emoções. Já tinha acontecido a ambos conversar na Internet mas nunca tinham sentido aquela atracção intelectual por alguém.
Nos dias que se seguiram, voltavam àquela sala, onde se tinham sentido em casa, por momentos, naquela companhia acolhedora igual àquele velho sofá moldado ao corpo.
Contudo, não podiam soltar as asas daquela atracção porque ambos tinham alguém ou talvez alguém os tivesse a eles.
Durante os meses e os anos que se seguiram àquele encontro, falaram variadas vezes sobre o ansiado encontro em que poderiam dar asas ao pássaro do desejo mútuo. Nunca o concretizaram. Continuavam presos.
É sabido que pássaros selvagens nunca ficam muito tempo fechados em gaiolas. À melhor oportunidade, partem e voam para horizontes de liberdade.

E esse dia aconteceu finalmente: um sms. Queres tomar café comigo? escreveu ele. Como? responde ela. Estás aqui? E seguiram-se mais sms que traçaram um mapa de reencontro. Tinham mandado fotografias um ao outro por isso na imensa escadaria reconheceram-se imediatamente. Não disseram palavra. Ficaram apenas a encher o olhar da visão real um do outro. Aproximaram-se. Conversaram. Riram. Continuaram a olhar até à hora da despedida. Um olhar, cheio de luz, de silêncios fecundos e de saudades futuras por revelar. Um olhar que soube a beijo que ficou por dar, porque de tanto digitar emoticons, foram incapazes de se tocarem...

Publicado por jacky às 01:06 AM

março 14, 2005

ânsia

Anseio por ti
com a urgência
do orvalho
ao amanhecer...

Jacky

Publicado por jacky às 09:58 AM

março 13, 2005

Nótus

Vem até mim
que sou flor
e tu brisa vernal
Abate-te sobre mim
que sou vela
e tu Nótus carnal

Jacky

Publicado por jacky às 02:27 PM

março 12, 2005

Desejo de ti...

Meu desejo por ti
É terra seca
ansiando por chuva
fertilizante.
É cor de sol
ardendo por ti
agonizante.

Desejo de ti...

Jacky

Publicado por jacky às 12:22 PM