outubro 17, 2005

Perfume


Hélène Corriveau

Sou muito «cheirinhas» mas talvez ao contrário dos outros. Gosto imenso de perfumes, dos frascos e das publicidades fantásticas dos perfumes, mas não suporto a maioria das fragâncias.
Hoje, por exemplo, fui buscar o filho da minha vizinha à escola e fiquei ao lado duma adolescente que cheirava a côco!!! Ao fim dum minuto, estava quase agoniada. Que cheiro tão intenso!
Se eu estivesse à beira dela nas aulas, acho que ao fim dum tempo, teria de ir para casa com uma grave indisposição... Ainda bem que não somos todos iguais!
E tu, gostas de perfumes? Suaves? Intensos? Deixas-te influenciar pela publicidade? pelo frasco? pela marca? Conta-me!

Publicado por jacky às 03:22 PM | Comentários (13) | TrackBack

setembro 29, 2005

Dormindo...

Estou com uma soneira... Quem me dera pôr o sono em dia. Um dia desses ainda me junto ao Lisbon Sleepless Club, se aceitarem uma gaiiija do Puarto.
Durmo deitada de lado e em qualquer lado de cama. E tu, dormes bem? Em que posição e de que lado da cama? :)


David Hamlet

Publicado por jacky às 08:54 AM | Comentários (11) | TrackBack

setembro 27, 2005

ansiedade

roerunha.gif

Alguns, quando estão ansiosos, roem unhas. Outros, comem desalmadamente. Certas pessoas rabiscam folhas e outras tamborilam os dedos. Eu simplesmente deixo de comer e de dormir.
E tu, como exteriorizas a tua ansiedade?

Publicado por jacky às 01:22 PM | Comentários (6) | TrackBack

setembro 22, 2005

susto

susto.gif

Quando tinha 13 anos, adorava pregar sustos a toda a gente. Uma vez, a minha mãe estava a falar com a minha cunhada junto à porta de casa e eu lembrei-me de ir de gatas até à porta. Depois, de repente, agarrei o tornozelo à minha cunhada e ladrei. Claro que ela apanhou um susto de morte. O problema é que ela estava grávida do meu sobrinho e até se sentiu mal! A minha mãe quase me dava um arraial de porrada! Aprendi a lição e nunca mais preguei sustos a ninguém, pelo menos, a grávidas!

E tu? Não me queres contar um susto de morte que te tenham pregado ou que tenhas pregado a alguém?

Publicado por jacky às 08:56 AM | Comentários (4) | TrackBack

bilhar

Eu e o Ricardo ficámos de jogar uma partidinha há uns tempos.
Quem quer juntar-se a nós?

Publicado por jacky às 08:45 AM | Comentários (1) | TrackBack

setembro 21, 2005

smiley adorável

kisshand.gif

Ontem, andava à procura do fantasminha que atira um beijinho em forma de coração, mas não encontrei. Alguém tem que me arranje?
Encontrei este que achei adorável. Acho tão romântico um homem beijar a mão a uma mulher :)

Publicado por jacky às 12:33 PM | Comentários (8) | TrackBack

setembro 17, 2005

sementes e frutos


Alan Sonfist

Nos afectos, só se colhe aquilo que se semeia. Às vezes, certas pessoas apanham amizades e amores pelos caminhos, sem nunca os ter alimentado e os ter acarinhado. Essas plantas, por vezes, crescem assim selvagens, carentes de atenção, e dão-se a quem não merece.

Hoje em dia, parece que entramos num ciclo de sadomasoquismo colectivo. Não comemos o fruto que fizemos crescer porque cobiçamos a árvore do vizinho. Os outros invejam as nossas plantas às quais não ligamos quase nada. Andamos assim numa roda gigante de encontros e desencontros, certezas e dúvidas, desejos e desprezos.

Se queremos mesmo eternizar sentimentos grandiosos como os do amor, da amizade, da ternura e do enamoramento, temos que tratar as suas sementinhas com muita atenção, o máximo da disponibilidade efectiva e afectiva. Não deixem morrer as plantinhas à fome, à sede, ao silêncio e à indiferença. Nos afectos só se colhe o que se semeia e se acarinha ao longo do tempo...

Publicado por jacky às 02:22 PM | Comentários (8) | TrackBack

agosto 24, 2005

Memória IV


Faye Heller, memory of the time


«Não existes para impressionar o mundo. Existes para viver a tua vida de um modo que te faça feliz.»
Richard Bach, in O Livro do Messias

Publicado por jacky às 08:34 PM | Comentários (4) | TrackBack

Memória III


Ann Echols

«Tu constróis as aparências à tua volta. Recebes exactamente aquilo que mereces.»
Richard Bach, in O Livro do Messias

Publicado por jacky às 08:30 PM | Comentários (2) | TrackBack

Memória II


Salvador Dali, a desintegração da persistência da memória


«Uma alteração ínfima leva-nos a um amanhã absolutamente diferente.»
Richard Bach, in O Livro do Messias

Publicado por jacky às 08:24 PM | Comentários (3) | TrackBack

Memória I


Salvador Dali, a persistência da memória


«Seja o que for que decidires viver, não o viverás apenas uma vez, mas milhares de vezes, ao recordá-lo para o resto da tua vida.»
Richard Bach

Publicado por jacky às 08:19 PM | Comentários (2) | TrackBack

julho 01, 2005

imprescindível

De que necessitamos nós realmente? O que será realmente imprescindível na nossa vida? Queres pensar nisso? Começo eu:

Não posso viver sem (em construção):

* o meu filhote
* amorizade
* inteligência
* sentido de humor
* os meus óculos
* o meu portátil
* calor
* música
* sonhos
* criatividade
* cinema
* nutella
* flores silvestres
* aromas diversos como flores, canela, limão, terra molhada, alfazema, eucalipto, ...

E tu? Não podes viver sem ...?

Publicado por jacky às 11:19 AM

junho 15, 2005

Há dias em que mais vale... Ala dos Namorados

Manuel Paulo, João Monge

Há dias
Em que não cabes na pele
Com que andas
Parece comprada em segunda mão
Um pouco curta nas mangas

Há dias
Em que cada passo e mais um
Castigo de Deus
Parece
Que os sapatos que vês
Enfiados nos pés
Nem sequer são os teus

A noite voltas a casa
Ao porto seguro
E p'ra sarar mais esta corrida
Vais lamber a ferida
Para o canto mais escuro

Já vi
Há dias em que tu
não cabes em ti

Avança
Na cara desse torpor
Que te perde e te seduz
A espada como a um Matador
Com o gesto maior
Do seu peito Andaluz
Avança
Com a raiva que sentes
Quando rangem os dentes
Ao peso da cruz

Enfim,
Há dias em que eu
Também estou assim

Parece que pagamos os
Pecados deste mundo
Amarrados aos remos de um
Barco que está no fundo.

Há dias em que gostaríamos de calçar sapatinhos de ballets mas os nossos desajeitados pés só se dão em socas de madeira...
Há dias em que gostaríamos de ver o nosso reflexo no olhar de alguém que nos ama mas todos os olhos se fecharam...
Há dias em que gostaríamos de ter a doçura de uma amora silvestre recheado de sol mas o nosso sabor é de limão verde...
Há dias em que gostaríamos de ser carícia em pele desejosa, mas somos pedregulho cheio de arestas...
Há dias em que mais vale mesmo é estarmos calados...

Publicado por jacky às 02:59 PM

amoriúme

O amoriúme é aquela emoção que surge quando receamos perder quem amamos, que mantém o amor vivo porque estamos atentos ao outro.
O ciúme enraizado na personalidade é repetitivo, torna-se agressivo, possessivo e desconfiado permanentemente.

Como muitos leitores deste blogue tiveram dificuldades em assumir que eram ciumentos porque ligam a emoção passageira a um sentimento permanente, pergunto agora: és amoriumento(a)? Que pensas desta nova palavra para definir esta emoção?

(para quem gosta deste tema, recomendo a leitura deste artigo la jalousie amoureuse)

Publicado por jacky às 12:08 AM

maio 29, 2005

smileys e emoticons malucos II

A pedido de várias famílias, aqui ficam mais alguns:

alegres, divertidos e simpáticos:

chateados e mal-humorados:

badmood.gif rabugento.gif tongue.gif

Publicado por jacky às 11:09 AM

maio 28, 2005

smileys e emoticons malucos

Gosto de smileys/emoticons porque expressam emoções e sentimentos. Desde que apareceram novas versões do messenger, tenho andado a brincar com esta bonecada! Quem conversa comigo, em geral, acha piada e depois há os outros debilóides (adoro esta palavra desde que vi o porquinho Babe que queria ser cão pastor a chamar debilóides às ovelhas) que ainda são piores que eu! Entre outros, são o Fernando, o Pedro e o Luís! Isto tudo para dizer que tenho saudades de conversar com o Luis (ó pá, quando é que compras um pc novo?) e também para dizer que gosto muito de vos ter por aí, assim à mão, sempre atentos e disponíveis para dois dedos de conversa! Obrigada amigos do messenger, convosco a solidão deixou de existir!

E agora os meus smileys malucos favoritos:
O beijo aspirador (é caso para ele dizer, comi a gaija toda!)

aspirador.gif

A exibicionista (mamas para que vos quero?):

mamas.gif

Esborrachado! (O Luís diz que este é a minha cara! Já não estou a achar piada à brincadeira! Grrrrrrrr):

esborrachado.gif

Cibercão tira jacky de frente ao pc para a levar a passear (já não há respeito por blogomaníacos!):

caopassear.gif

Efervescente (raisparta tudo isto!):

zangado.gif

O meu riso favorito, o deste diabinho (Hehehehe chinei-te!):

diaboyahoo.gif

O beijinho de amorizade (Posso dar-te um beijinho de amoramiga?):

beijinho.gif

Se também tens paixão por maluqueiras destas, acrescenta-me ao teu msn para fazermos umas trocas: cequilanje arroba hotmail ponto com.

Publicado por jacky às 11:27 AM

maio 27, 2005

ausência total de ciúme

Hoje em dia, confessar o ciúme é quase pecado. Ciúme é logo conotado a possessão doentia, a obsessão, a falta de autoestima, a insegurança, falta de confiança, falta de personalidade e por aí fora.

Ora, o ciúme é uma emoção universal, que todos nós sentimos em maior ou menor grau, sempre que achamos que podemos vir a perder o afecto de alguém que nos é querido. Respondemos à ameaça da perda com o ciúme. Permite-nos estarmos atentos ao outro, é como um sinal de alarme...

A ausência total de ciúme é algo que me perturba tanto como os ciúmes doentios e patológicos. Há uma certa indiferença na ausência de ciúme, uma confiança cega, um deixar de se ver, um desistir de se estar atento ao outro.

Não é usual que não se sinta nem uma pontinha de medo quando há concorrentes atraentes a tentarem seduzir o outro, nem uma pontinha de cólera quando se pensa que pode haver espaço para a traição, nem uma pontinha de tristeza quando há a possibilidade de se perder quem se ama.

Assumo aqui, em primeira mão, no amorizade, que sim, sou ciumenta. Talvez, porque já perdi alguns afectos durante a minha vida. Isso não quer dizer que sou controladora, que sou desconfiada ou que quero possuir totalmente o outro; quer apenas dizer que estou atenta porque não quero perder o afecto dos que amo...

E tu, és ciumento(a)?

Publicado por jacky às 10:23 PM

maio 20, 2005

silêncio


Jo Parry

Comunicar supõe também silêncios,
não para calar,
mas para deixar um espaço
ao reencontro das palavras.

Jacques Salomé

Publicado por jacky às 09:19 AM

maio 19, 2005

ousadia

Ousa o melhor da vida porque mais ninguém a poderá viver por ti.

Jacques Salomé, encontrado aqui

Publicado por jacky às 12:26 AM

negação


O insuportável é encontrar no outro o que procuro negar em mim mesmo(a).

Jacques Salomé, encontrado aqui

Publicado por jacky às 12:24 AM

maio 09, 2005

Fracasso

(tentativa de definição)


David Miller

Uma ideia nova ou um pensamento brilhante surgem. Agarramo-los com entusiasmo. Preparamo-nos para que o abstracto ganhe forma. Empenhamo-nos ao máximo. Vivemos na esperança de dar o nosso melhor.
A prova final chega: tornar o abstracto concreto. Arrisca-se e, a dado momento, falhamos, falhamos de forma inexplicável. Não fomos capazes de superar as dificuldades, os medos e a pressão. De repente, tornamo-nos no pesadelo do próprio eu. Éramos diamante que se transformou em carvão.
Nos dias seguintes, o sentimento de fracasso aumenta. Lamentamos as nossas falhas. Sentimo-nos culpados por não termos sido melhores. Martirizamo-nos por não termos feito desabrochar o belo. O novelo de algodão branco dos nossos pensamentos fica manchado. Choramos todas as lágrimas do corpo até ao absoluto cansaço, até que o abatimento esgote o eu. Depois, vivemos dias e noites que se arrastam lamentavelmente iguais.
Porém, há-de chegar um dia em que a luz de um farol conseguirá furar o nevoeiro, uma luz que nos dará de novo a esperança de nos reencontrarmos e de, finalmente, nos perdoarmos a nós próprios...

Publicado por jacky às 11:12 PM

abril 26, 2005

dúvida existencial...

Dirigida aos homens: vocês gostam mesmo de mulheres assim vestidas? É que nunca percebi muito bem se fantasiam com este tipo de lingerie ou não? Hum? Quem tem a coragem de responder?

Publicado por jacky às 06:26 PM

abril 24, 2005

Emocionar-se

Emoção vem do Latim e quer dizer que ficamos movidos para fora de nós mesmos. As emoções são sempre intensas e irracionais, transformam-nos e actuam no nosso corpo em calores, arrepios, rubores, suores, batimentos e lágrimas. Alguns conseguem controlar melhor as reacções das suas emoções, outros não.

Uma emoção não é algo de estável como um sentimento. Chega repentinamente, opera verdadeiras revoluções no nosso corpo e apaga-se rapidamente como chegou. Uma emoção nunca actua sozinha, despoleta sempre reacções em cadeia e apela à nossa memória que provoca outras emoções e sentimentos.

Há alturas em que estamos mais susceptíveis a deixarmo-nos dominar pelas emoções e os dias transformam-se em verdadeiras montanhas russas emocionais. Há outras alturas em que vivemos como anestesiados e atravessamos os dias como se nada nos pudesse tocar. Não sei qual dos dois estares será o pior...

Os autores dividem-se quanto às emoções primárias e secundárias. Vou tentar falar-vos delas nos próximos dias. Entretanto, gostaria que me respondessem a algumas perguntas. Obrigada.

Publicado por jacky às 11:30 AM

Aversão

O que é que te enoja ou causa muita aversão?

Publicado por jacky às 11:30 AM

Cólera / Ira

O que é que te faz trepar paredes e/ou te irrita solenemente? Como é que reages quando estás encolerizado(a) e/ou muito zangado(a)?

Publicado por jacky às 11:28 AM

Medo

O que é que te assusta? De que tens receio?

Publicado por jacky às 11:28 AM

Surpresa

O que é que te causa espanto? O que é que te surpreende?

Publicado por jacky às 11:22 AM

Alegria

O que é que te alegra? Que acontecimentos te deixam contente? Como costumas reagir quando estás muito alegre?

Publicado por jacky às 11:20 AM

Tristeza

O que é que te entristece? Que situações te causam tristeza? Como é que a tristeza actua no teu organismo?

Publicado por jacky às 11:20 AM

abril 21, 2005

relacionamentos internetianos

O que é que faz com que as pessoas se apaixonem? Às vezes, penso muito nisso. Antigamente, as pessoas apaixonavam-se por pessoas da mesma classe social, por colegas de escola ou de trabalho, por vizinhos, por pessoas que tinham gostos e/ou passatempos comuns. As pessoas têm tendência para a homogeneidade no amor, raramente pessoas completamente opostas se apaixonam.

Agora, a Internet veio aproximar pessoas distantes em termos de quilometragem mas à proximidade de um clique. Será o amor possível entre pessoas que moram a centenas de quilómetros de distância e estarem a maior parte do tempo sem se verem?

Agora, com a Internet, não sabemos como é fisicamente o outro, de que claase social é, apenas ficamos com uma imagem e com conversas virtuais. As diferenças esbatem-se ou talvez não? O que é que apaixona: os gostos comuns ou a invulgaridade da escrita?

A Internet veio revolucionar os encontros amorosos. Pena que ainda haja quem incorrectamente seja infiel (virtualmente ou talvez não) à pessoa com quem estão casado(a)s ou com quem vivam. Podem-me cair em cima se quiserem (porque toda a gente tem direito à sua opinião), mas não seria capaz de me apaixonar e confiar em alguém que tentasse seduzir-me enquanto tem o seu marido ou mulher na cama a dormir... Também é pena que haja quem confunda uma grande amizade com engates e atracções sexuais.

Acredito nas amizades virtuais e ainda mais acredito nas amizades e nos amores que se tecem à volta dos blogues. São raros os casos de bloggers que não correspondiam à imagem que tinha criado deles pela leitura da sua escrita. Tenho feito excelentes amigos aos quais estou muito grata! e quero continuar a tecer os fiozinhos que me ligam a essas pessoas lindas que ficam do outro lado do ecran...

E tu, acreditas no amor à distância? Acreditas nas amizades e nos amores internetianos?

Ver resposta do Orlando aqui nos Sinais.

Publicado por jacky às 08:44 AM

abril 05, 2005

Dúvida sentimental

Nunca entendi porque é que, nunca despertando paixões, gero tanto ciúme...

Publicado por jacky às 12:30 PM

abril 01, 2005

Tristeza

Apesar de saber que estava já muito doente e que exercercia as suas funções já com grande martírio, não posso deixar de sentir grande tristeza pela morte iminente de João Paulo II. Minha orações estarão com ele hoje.
Que Deus dê sapiência e sensibilidade aos homens que irão escolher o Novo Papa: com coração aberto à mudança necessária, sem ignorar alguns dos Valores mais importantes do Cristianismo: Amor ao Próximo, Tolerância, Paz, Caridade, Compaixão, Compreensão e Fé. Um novo Papa Humanista para outro recomeço...

Publicado por jacky às 07:56 PM

março 31, 2005

por falar em indiferença*...

Por muitos anos que viva,
nunca vou entender
o que é que leva alguém
a desprezar quem o/a acarinhe
e a desejar quem o/a despreze...

* que tem por primo, o desprezo.

Publicado por jacky às 06:20 PM

indiferença


Indifference

Gosto muito da escrita do JK, porque escreve com emoção. Ultimamente, gostei especialmente deste texto sobre as Diferenças nas Indiferenças:

Existem duas formas de indiferença: a real e aquela que é unicamente aparente. Enquanto a primeira representa a falta de força de algo ou alguém que o torna importante, a segunda simboliza a influência que se pretende negar existir.
A indiferença real revela um desprendimento sobre as situações, enquanto a aparente mostra que, apesar das tentativas de desapego, é necessário simular o desinteresse para tentar eliminar uma influência indesejada.

A indiferença real pode gerar a aparente quando se quer negar que algo de novo existe e nos toca de alguma forma, quase como se procurássemos obter um convencimento de nós próprios. É que muitas vezes negamos que algo nos interessa e depois aos poucos vamos ficando encantados exactamente com aquilo que inicialmente renegamos.

A indiferença aparente é quase sempre uma tentativa de almejar a indiferença real que parece complicada de ser atingida, seja porque estamos a descobrir algo ou porque simplesmente queremos esquecer alguma coisa que não contribui para a nossa felicidade.

Duas indiferenças, tão diferentes e tão ligadas entre si.

Este texto é apenas uma pequena amostra da sensibilidade do Jotakapa. Não se inibem de vasculharem os arquivos, porque vale realmente a pena! :)

Publicado por jacky às 01:05 AM

março 26, 2005

anjo da guarda

Estaremos completamente abandonados a nós próprios ou haverá uma presença que nos acompanha sempre e nos protege? Espíritos de Luz ou elos de afecto de quem nos ama?

Já agora, uma dúvida que eu tenho que nunca ninguém me esclareceu, relativamente ao sexo dos anjos. Se é verdade que os anjos não têm sexo, porque é que só têm nomes masculinos, por ex: Miguel, Gabriel...?

Publicado por jacky às 01:28 AM

março 23, 2005

in-quietude

A inquietude vive no seio das mentes sensíveis e ansiosas. A quietude mora no conforto do coração.

A inquietude alimenta-se duma certa insatisfação perante o real que conduz ao mundo dos sonhos e dos ideais.A quietude encontrou a paz.

A inquietude aspira à quietude mas não consegue alcançá-la. A quietude é um bem-estar interior que baloiça suvamente numa cama de rede.

A inquietude é nervosa, é como uma borboleta fugaz que voa perdida entre as flores sem saber que caminho seguir.A quietude é calma, é um riacho tranquilamente deitado.

A inquietude é errante e não estabiliza como a quietude.

A inquietude é um céu sem sol cheio de nuvens num fim da tarde. A quietude é uma tarde amena de primavera.

A inquietude oscila entre o quente e o frio. A quietude permanece na tepidez.

A inquietude nunca pára porque corre atrás da quietude. A quietude descansa de ter muito caminhado...

(Esta semana, arrependi-me de ter apagado o in-quietude...)

Publicado por jacky às 12:30 AM

março 20, 2005

O que é insegurança?

Insegurança é:
* ter no espelho o seu maior inimigo;
* temer a perda dum afecto;
* cismar com o silêncio de quem se gosta;
* recear o fantasma do abandono;
* precisar de ser-se encorajado(a) a todo o momento;
* não tentar com medo de falhar;
* precisar de ser-se protegido(a);
* não recuperar de um fracasso;
* não acreditar na própria essência;
* perturbar-se com críticas negativas;
* não confiar que somos capzes;
* hesitar dar um passo em frente;
* procurar estabilidade instavelmente;
* precisar da garantia da presença alheia;
* amar timidamente em silêncio;
* esconder-se com medo de ser encontrado(a)

Insegurança é...

Publicado por jacky às 11:27 AM

março 18, 2005

O que é o silêncio?


(Escolher a opção mais acertada, segundo o humor do momento)

1. abstenção voluntária;
2. ausência de som;
3. privação da escrita;
4. desmemorização da palavra;
5. discrição absoluta;
6. interrupção de comunicação;
7. cessação de inquietação;
8. solidão insustentável;
9. calmaria total;
10. mistério insolúvel;
11. desassossego da alma;
12. taciturnidade do ser;
13. guardador de segredos;
14. redução de perturbação;
15. omissão intencional;
16. assassínio de afectos;
17. ordem solene;
18. imposição mortal;
19. frieza emocional;
20. bem-estar pessoal...

ou...

Publicado por jacky às 10:05 AM

março 11, 2005

Deus escreve direito por linhas tortas

Gostava deste provérbio mas deixei de gostar porque é mentiroso. Não é verdade que os traidores, hipócritas, mentirosos se arrependem e pagam pelo mal que fazem aos outros. Não há qualquer tipo de justiça.

Quem age segundo a consciência e os seus valores, até pode dormir de noite, mas os que fazem o mal, até devem dormir melhor!!!
Não é verdade que quem sofre é mais tarde recompensado...

Publicado por jacky às 12:50 AM

março 10, 2005

Ciúme

O ciúme surge quando...

... um filho é mais beneficiado que outro.
... paira um clima entre o objecto dos nossos pensamentos e outrém.
... um amigo íntimo desleixa a amizade para prestar mais atenção a outro amigo.
... respondem aos nossos apelos com silêncio.
... desconfiamos que o laço está-se a quebrar do outro lado.
... quem gostamos anda entusiasmado com outras pessoas e, connosco, age com indiferença.
... até o nosso próprio cão prefere ficar na casa do vizinho do lado que tem uma cadela.
... a negritude da desconfiança se sobrepõe ao arco-íris da paixão.

O ciúme surge quando...

Publicado por jacky às 11:59 PM

março 07, 2005

barcologia humana


Claude Monet

Há pessoas que são como iates, só vêem grande, só vivem de luxos, só se fixam em lugares que julgam estar ao seu nível e só se dão com iates do seu género.

Há pessoas que são como gaivotas, que só vão lá se alguém pedalar por eles, senão ficam onde estão. Falta-lhes a energia dum motor.

Há pessoas que são bacalhoeiros, andam sempre fora em busca do seu sustento. Preferem os mares do Norte a ficar sempre no mesmo porto.

Há pessoas que são fragatas, só estão bem a guerrear ou então estão sempre à defesa. São incapazes de viver em paz.

Há pessoas que são rabelos, moliceiros, andam pelos rios porque a sua alma faz parte da história do lugar onde nasceram.

Há pessoas que são como gôndolas, o espírito sempre em Veneza, sonhadoras e românticas, abrigo de muitos amores.

Há pessoas que são como caravelas, em busca de novas aventuras. Quem embarca nelas, nunca mais pára porque só são felizes a navegar.

Há pessoas que são como submarinos, vivem sempre em baixo, escondidas, isoladas do mundo e só sobem ao nível do mar de vez em quando mas ficam esvaziadas de si.

Há pessoas que são como galeras, só vivem a escravizar os outros, à procura de novas conquistas que escravizem ainda mais.

Há pessoas que são como canoas, exóticas, esguias, sempre à procura de novas emoções.

Há pessoas que são como paquetes, é só diversão, sol e mar, jogos e sedução.

Há pessoas que são como um barco sem remos, sem âncora, um pouco à deriva e vão navegando pelos mares, sem rumo, sem amarras. Pensam que assim são felizes e talvez sejam. Às vezes, alguém decide embarcar nele, dar-lhe um rumo de vida, mas não querem e esse alguém, desencantado, acaba por ter de sair...
Jacky

Há pessoas que são como barquinhos anónimos, que não se distinguem dos que navegam próximo. E lá dentro carregam tesouros, riquezas e beleza que só alguns privilegiados, os que têm abertos os olhos do espírito e do coração, conseguem ver. E na proa de um desses barquinhos lê-se o nome: Jacky Poeta.
Vi

Há pessoas que são simples barcos de papel largado no chover da rua.
Duende

Há pessoas que são porta-aviões, abrindo-se sempre para deixar voar um sonho e outro e outro...
cap

Há pessoas que são ferries, vivem para transportar os outros e nisso se realizam, e nisso se lhes vê o enorme casco
Eufigénio

Há pessoas que são portos de abrigo: os barcos encontram nelas águas calmas, onde se podem retemperar e ficar em paz.
1poucomais

Há pessoas que são botes de borracha: ninguém lhes dá grande importância mas quando chega a hora estão lá e salvam vidas!
Noite

Há pessoas que são como botes salva-vidas, já não vivem apenas tentam sobreviver.
Jotakapa

Há pessoas que são como barcos´à vela, largam as velas e esperam que o vento sopre para as levar onde o mar quiser...
Luna

Há pessoas que são barcos submarinos, porquanto conversíveis que ora andam à tona de água ora mergulham nas profundezas como submarinos...

Há pessoas que são rebocadores, passam o tempo a salvar avariados e a trazê-los a bom porto.
Viajante

Há pessoas que são como...

Publicado por jacky às 08:56 PM

março 01, 2005

saudade

O que é a saudade?
É uma ausência que se quer presente, talvez preenchida num futuro próximo...
É uma presença da ausência, quando se esgota a esperança do reencontro...
É...

Publicado por jacky às 02:18 PM

fevereiro 19, 2005

fama


Spheres of Thoughts II

Tornamo-nos famosos,
quando passamos a liderar os pensamentos de alguém.

Uma das frases mais bonitas que já ouvi :)

Publicado por jacky às 10:44 AM

fevereiro 10, 2005

perfil de uma pessoa avarenta

Uma pessoa avarenta:

* aceita todos os convites para comer e/ou dormir na casa dos outros para se divertir a custos zero;
* raramente convida alguém para ir a sua casa, e se convida, fica à espera que os convidados tragam coisas para compensar a despesa;
* telefona do trabalho a horas pouco próprias para quem atende para não ter que ligar mais de tarde de casa a horas mais convenientes aos outros;
* não toma banho de banheira, não porque goste de ser ecologista, mas porque quer mesmo poupar água! Se for preciso, só toma banho e/ou lava o cabelo uma vez por semana (com sorte) para poupar na energia e na água;
* raramente compra roupa nova e, se comprar, é nos saldos. Depois, não anda com a roupa nova para não a estragar ou para ocasiões que nunca surgem;
* não empresta nada a ninguém com medo que não devolvam as coisas e/ou porque não esteve a gastar dinheiro para os outros usufruirem das suas coisas;
*

(a completar)
Não me queres ajudar a traçar o perfil de uma pessoa avarenta?

Publicado por jacky às 01:34 PM

fevereiro 06, 2005

Sonhar afectos é...


Primavera, Pierre Auguste Cot

... acreditar que os contos de crianças que acabam bem podem tornar-se reais...
... acreditar que o amor não é apenas eterno enquanto durar...
... ser-se romântico(a) mesmo se vivemos numa era em que o romantismo é sinónimo de lamechice...
... querer ser-se em vez de apenas estar...
... querer sentir um afecto doce como o sabor de uma amora madura...
...

Publicado por jacky às 11:01 AM

fevereiro 04, 2005

olhos


Keith Kimberlin

Os olhos são do mais expressivo que há! Um olhar pode dizer-nos tanta coisa ou esta completamente vazio. Pode expressar alegria como estrelinhas luminosas ou tristeza, acompanhado de lágrimas. Os olhos podem ser sonhadores, inocentes, brilhantes, melancólicos ou serenos. Podem estar abertos, fechados ou semi-cerrados... ou até a piscar!
Há imensas canções sobre os olhos. Lembrei-me agora de três: Blue Eyes do Elton John, Bright Eyes do Art Garfunkel e Olhos castanhos, acho que do Francisco José. Quase todos falam do poder de um olhar, da sua luminosidade e dos afectos que transmitem.
Há blogues de olhares e de Olhos!

Os olhares que eu mais gosto são os olhares meigos. Por isso, adoro o olhar dos cães e, em especial, dos perdigueiros! Podem dizer que os olhos claros são mais bonitos, mas os olhos castanhos são os mais meigos!
Como é o teu olhar preferido?

Publicado por jacky às 03:32 PM

janeiro 30, 2005

Fico bem-humorada quando


Scianna

... o dia está solarengo e quente;
... não tenho que me levantar cedo;
... não sei o que se passa no mundo;
... alguém se lembra de mim e me envia uma mensagem ou um postal;
... o meu filhote se ri;
... leio um bom livro;
... vejo um filme que me enche as medidas;
... alguém me telefona inesperadamente;
... me fazem surpresas;
... alguém está atento ao que eu gosto;
... consigo finalmente fazer algo que não conseguia;
... me anunciam boas notícias;
... nasce uma criança;
... uma criança, na rua, me sorri;
... o cão me faz festas;
... o gato me dá uma turra ou se atira às minhas pernas na brincadeira;
... vejo um arco-íris;
... me dão flores;
... não me dói nada;
... tenho os 5 sentidos a funcionar a 100%;
... participam no blog e dizem gostar do que faço;
... aprendo coisas novas;
... palavras me emocionam;
... me fazem um elogio sincero;
... um pássaro canta de manhã só para mim.


Encontrei este passarinho na Oficina das Ideias! Até parece que o Olho de Lince leu o meu pensamento!

E tu? O que é que te bem-humora?

Publicado por jacky às 07:48 PM

bom humor

O bom humor existe em nós como uma peneira que faz a selecção do que de melhor tem a realidade. Permite-nos ficar alegres quando algo de bom acontece e não nos deixa cair em desespero quando chegam os maus dias.
O bom humor anda sempre de mãos dadas com a ajuda. Quem está rabugento fecha-se em si mesmo. Quem está bem-humorado, ajuda mesmo quem não pede.
O bom humor tem sempre a porta aberta para a criatividade. As ideias novas surgem espontaneamente e tudo se torna divertido, mesmo os trabalhos mais aborrecidos.
O bom humor desinibe. Quando estamos particularmente felizes, custa muito menos tomar a palavra num grupo, sermos mais ousados nas relações.
O bom humor não é sinónimo de docilidade ou ingenuidade. Porém, o bom humor torna-nos mais tolerantes e maleáveis.
O bom humor descontrai. A nossa saúde só tem a ganhar com risos, sorrisos, pensamentos malucos e alegres. Por isso, é preciso inventar o verbo bemhumorar... Eu bemhumoro Tu bemhumoras Ele bemhumora... Mas só no presente!

Publicado por jacky às 07:44 PM

janeiro 08, 2005

As emoções ficcionadas

A propósito do comentário do Yardbird, acerca da crueldade da morte da mãe do Bambi ou da morte do pai do Simba, recordei algumas palavras do António Damásio, o nosso célebre neurologista, que tive a sorte de ouvir numa conferência sobre o Teatro, em 2001.

Ele falava que a nossa história pessoal está directamente ligada às grandes narrativas e que as emoções estão directamente ligadas a memórias.
A literatura, o teatro e o cinema (estes últimos mais potentes devido à imagem) têm a capacidade de induzir em nós emoções. Ao vermos certas cenas, emoções geram-se e fazem recordar memórias que vão corporizar a nossa autobiografia. É como recordar um passado e um futuro antecipados.
Somos capazes de sentir assim, prazer e dor, de forma muito mais segura porque simulada. É um exercício de simulação da emoção que é calculada porque não real.
Como é óbvio, simular a dor da perda de um dos pais a crianças muito pequenas é um pouco absurdo. A escolha dos filmes a mostrar depende da sensibilidade e do bom senso dos pais.
Nós somos responsáveis pelas coisas que os nossos filhos vêem. Daí que seja muito importante «perdermos» tempo a ver o que eles vêem para se poder filtrar a informação e explicar-lhes as coisas, sossegar ou estimular a imaginação. Não devemos de forma alguma fazer da televisão, do video ou do dvd um substituto dos pais!

Publicado por jacky às 01:43 PM

janeiro 03, 2005

melancolia


Melancholy, Edvard Munch

A melancolia é um sentimento suavemente triste. Existe em nós como uma leve cortina que encobre as cores garridas da realidade. Os dias decorrem quase tranquilos, se não fosse essa melancolia que nos mantém estáveis na escala das emoções. Um melancólico pode estar contente mas raramente hilariante; pode estar aborrecido mas raramente em cólera.
A melancolia está presente nos fins de tarde. Não há nada como um pôr-do-sol suave para espelhar o coração dum melancólico. Também se sente apaziguado com os tons quentes das folhas de outono, caídas no chão.
A melancolia é a porta de entrada ou de saída da tristeza. Pode ser o prenúncio de uma depressão nascente ou o sentimento final de uma perda. A melancolia é tristemente suave se não se instalar definitivamente, porque se persistir, impedir-nos-á de viver intensamente a vida, o mundo e as pessoas que nos rodeiam.

Publicado por jacky às 11:29 AM

janeiro 01, 2005

tristeza


Steve Winter - National Geographic Image Collection


A tristeza faz-nos viver a vida em banho-maria. Todo o movimento é penoso. A palavra de ordem é a lentidão... ainda estamos a digerir uma perda. Toda a tristeza tem origem na perda. Perda de emprego, de estatuto, de casa, de cidade, de afectos, afastamento de alguém, de um objecto que nos faz sentir sozinhos e abandonados.

A tristeza não é totalmente negativa, pois obriga-nos a parar, a fazer uma espécie de retiro espiritual. Assim, podemos aprender a evitar situações semelhante àquela que nos causou a dor.

A tristeza também nos protege da agressividade do outro e origina uma onda de empatia e de apoio. Quando a tristeza se apodera definitivamente de nós, entramos na espiral da depressão e pode acabar mal.

A tristeza é prima da melancolia e do tédio existencial. Para acabar com a tristeza, é preciso reflectir, procurar o apoio dos outros e deixar que o tempo sare algumas feridas.

A tristeza também tem como sinónimo o vazio e enquanto o vazio dominar a nossa vida, não haverá espaço para o entusiasmo e a alegria.

O vazio tem cura. Basta enchê-lo com afecto, afecto de nós próprios e afectos de outros que nos amam. Nem sempre o amor que desejamos e não temos, é o melhor para nós. Os afectos não se forçam, sentem-se...

Publicado por jacky às 07:58 PM

dezembro 27, 2004

solidão

A solidão não é uma presença que faz falta, a solidão é um estado de espírito.
Podemos estar rodeados de pessoas e, mesmo assim, continuarmos isolados. Podemos ter um telemóvel que está sempre contactável e a tocar por tudo e por nada e estarmos sozinhos. Podemos estar recheados de tudo e vivermos com uma imensa sensação de vazio.
Talvez seja um sentimento doloroso da era das relações-zapping. Talvez seja uma emoção que surge por nada nos prender à vida. Talvez seja um pensamento insistente que nos faz desvalorizar o que de mais precioso existe. Talvez seja o megaconsumo que nos reduza a uma pequenez do «eu».
Sentimo-nos sós porque não conseguimos estar connosco, porque escondemos feridas por curar, porque precisamos urgentemente de alguém que nos salve da solidão. Mas a solidão é um estado de espírito! Se não gostarmos de nós, ninguém conseguirá resgatar-nos...

Publicado por jacky às 12:28 PM

dezembro 21, 2004

Posse e ciúme


Gauguin


«O amor, na ansiedade dolorosa como no desejo feliz, é a exigência de um todo. Ele não nasce, não subsiste, a não ser que haja uma parte para conquistar. Não se ama senão aquilo que não se possui verdadeiramente.»
Marcel Proust


Marcel Proust pensa que o que é possuído deixa de ser amada e eu pergunto na sequência desta citação: Não existindo a posse, há ciúme?

Publicado por jacky às 10:48 PM

dezembro 20, 2004

Perdoar é

... carregar o sofrimento para poder quebrá-lo.
... colar os pedacinhos partidos e recuperar a dignidade.
... passar de vítima a vencedor.
... aceitar que nem sempre se ganha, o que não quer dizer que sempre se perde.
... saber que errar é humano e devemos aprender com os erros.
... expressar a dor que sentimos por termos sido traídos, abandonados, magoados, para que esse sofrimento não se manifeste em relações futuras.
... curar a ferida que ainda dói.
... abrir a porta à mágoa e deixá-la sair.
... deixar para trás o caminho do rancor e do ressentimento e enveredar pela estrada da Vida.
... é dar espaço para sermos perdoados.

Perdoar é...?

Publicado por jacky às 01:47 PM

novembro 01, 2004

dependência afectiva é...

...não conseguir viver sem essa pessoa especial...
...amar demais como se o amor fosse quantificável...
...viver em função de alguém e esquecer que somos pessoa...
...esperar tudo duma relação como se a vida dependesse dela...
...viver na angústia da separação...
...viver no medo do abandono...
...dar mais do que se recebe...
...sacrificar-se por alguém que pouco se implica na relação...
...desejar alguém de extraordinário para enaltecer o nosso debilitado Ego...
...querer suprir todos os desejos do outro, antecipando-os até...
...estar viciado como se o outro fosse uma droga...
...precisar do outro para encher o nosso vazio de identidade...
...abraçar com tanta força que se asfixia o amor...
...diluir-se no outro como um camaleão até ficar sem cor..

É precisar urgentemente de gostarmos do nosso «eu», de gostarmos de pessoas, de diversificarmos os interesses pessoais, de termos objectivos na vida, de perdermos os medos, de darmos uma oportunidade à auto-estima perdida!

Publicado por jacky às 10:19 AM

outubro 31, 2004

considerandos sobre o ciúme


Are you jealous, by Gauguin


Hoje em dia, sentir ciúme é feio e mal visto. É-se logo etiquetado de coitadinho inseguro que tem tão pouca auto-estima... Só as almas pouco nobres podem ter emoções mesquinhas como os ciúmes!
Pois é...Quem faz esse tipo de afirmações tem um pouco de razão quanto à insegurança e à auto-estima mas nem todos os casos de ciúme derivam daí.

1º O ciúme é uma emoção universal, sentida em todos os povos e culturas porque faz parte do património genético da humanidade.

2º O ciúme existe para garantir a o sucesso reprodutivo da espécie, pois havendo exclusividade numa relação, é mais fácil garantir a sobrevivência dos descendentes!

3º O ciúme funciona como uma forma de mostrar que se gosta do outro e que certas situações que envolvem ocasionalmente terceiros podem-nos fazer sofrer.

4º O ciúme é uma emoção normal em pessoas que já foram traídas anteriormente ou que assistiram às infidelidades dos pais durante a infância.

5º O ciúme pode tornar-se doentio quando a pessoa começa a vigiar o outro de forma sistemática, quando começa a restringir os contactos com o exterior isolando o outro e quando começa a desvalorizá-lo de forma a controlá-lo melhor.

6º O ciúme acontece em pessoas normalmente não ciumentas quando o outro muda e a relação entre ambos fica desequilibrada. Aparece como um aviso de que algo está a correr mal.

7º O ciúme também é mais frequente em pessoas muito emotivas e assim sendo sentem mais intensamente as suas emoções que as outras pessoas.

8º O ciúme é recorrente em pessoas que acham que não valem nada, que são desinteressantes, enfim, que não gostam de si nem têm boa imagem de si próprias. Isso leva-as a acreditar que mais tarde ou mais cedo serão abandonadas quando surgir outra pessoa melhor.

9º O ciúme pode surgir de repente em determinadas ocasiões ou instalar-se definitivamente.

10º O ciúme faz sofrer porque surge muitas vezes aliado à raiva, ao medo, à tristeza, à agressividade, à culpabilização e/ou à insegurança.

Portanto, o ciúme é natural em todo o ser humano! O que não é normal é viver atormentado pelos ciúmes. É preciso reflectir qual é a sua origem e depois tentar controlar o ciúme, resolvendo o que está errado.

E agora, já admites ser ciumento(a)?

Publicado por jacky às 01:02 PM

outubro 29, 2004

beleza

Hoje em dia, o paradigma da beleza feminina é a mulher magra, quase sem curvas como se pode ver nos desfiles de moda ou então mulheres explosivas com peitos enormes e corpos bem delineados.

Antigamente, não havia preconceito relativamente a umas gordurinhas a mais e ter um pouco de barriga até era sexy (ver representação do nascimento de Vénus, a deusa da beleza e do amor, por Sandro Botticelli).

Uma coisa que me faz pena é que as mulheres de hoje estão a perder a sua feminilidade. Raramente vejo jovens de saia ou de vestido, de cabelos arranjados e com uma certa «coquêterie». Fico sempre com a impressão que os adolescentes querem tanto se identificar tanto uns aos outros que rapazes parecem raparigas e vice versa. Parecem vestidos com uniformes e de costas, é difícil identificar quem é quem... Que pensas disso? Que paradigmas de beleza se estão a construir neste século XXI?

Publicado por jacky às 08:05 AM